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quarta-feira, 29 de junho de 2011

                               A DOR DE QUEM FICA

Habituai-vos a não censurar o que não podeis
compreender, e crede que Deus é justo
em todas as coisas.
(Fénelon)
Poucas dores doem tanto quanto a da separação de um ser muito querido, que o desencarne retira de nosso convívio.
A primeira idéia que nos vem é a de que perdemos. Perder alguém. Perder a chance de estar com quem tanto amamos.
E o único sentimento capaz de suavizar nossa passagem por estes momentos tão difíceis é a fé.
A fé nos traz pensamentos confortadores, de que só estamos temporariamente separados, mas não sozinhos.
Torna possível entender que a perda só existe do nosso ponto de vista. No contexto Universal, é mais uma destas idas e vindas de Espíritos em evolução.
Aquilo que nos parece um acidente, uma fatalidade, uma cirurgia que não deu certo, muda de figura sobre o pano de fundo da fé. Uma tragédia aos nossos olhos pode ser um grande êxito na jornada espiritual daquele companheiro que parte. O que pensamos que não deu certo, pode ter dado muito certo aos olhos de Deus.
Na verdade, não dispomos de elementos para avaliar o que representa, para nosso irmão ou irmã, a morte de seu corpo físico. Não devemos então duvidar de que Deus esteja, neste exato instante, providenciando para ele o melhor.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

                                               SER ESPÍRITA
O espírita sempre fará o bem: procurará mitigar corações angustiados, acalmar desesperados, operar reformulações morais, auxiliar de todos os modos os necessitados.
A Terra, pelas suas características morais, é planeta onde imperam os queixosos, os que carregam o amargor das desesperações, os cultivadores da violência, os ambiciosos em todos os sentidos.
Há ainda os pessimistas contumazes, espalhando os seus miasmas incessantemente entre todos os que lhes compartilham a vida.
Outros mais, persistem em acalentar no íntimo seus males, suas doenças descrevendo-as com ambição, vinculados que se acham mentalmente a elas.
Viciados procuram deixar-se a própria destinação, como se a ela estivessem irremediavelmente destinados, firmando-se numa condição interior de auto-compaixão, sem empreender o mínimo esforço pela sua libertação.
Existem os instáveis emocionais imprimindo-se uma posição de vítimas do destino, malgrado persistam na posição fixa de irresponsabilidade, como se ignorassem os males que a si mesmo praticam.
O panorama é aparentemente desanimador para o trabalhador do bem, tal o volume de carentes nas mais variadas condições de dor e sofrimento à sua frente, todos aguardando piedade e socorro, os quais, entretanto, se negam a aceitá-los quando alguém por eles se interessa.
Profundamente relevante, ao convivermos com eles, é não nos deixarmos, primeiramente, identificar com o estado patológico que carregam, e, segundo, é acautelarmo-nos no sentido de mantermos em nós um clima de oração, procurando a necessária inspiração sobre o que fazer de melhor para ajudar com acerto.

JESUS, em momento algum, mostrou-se usando de falsa piedade ou estimulando a indolência.
A excelência de Seu dinamismo imperou em todos os seus movimentos. Suas atitudes foram sempre firmes e seu caráter puro, em momento algum mostrou-se sem entusiasmo ou ressaltou a apologia da covardia.
Aceitou o julgamento arbitrário, a traição, a convivência com a gente tida como de "má vida", para que assim pudesse exemplificar o valor da Verdade que viera trazer, aproveitando para lecionar vigilância, oração, dignidade, além de demonstrar  que as aparências físicas não refletem as realidades primordiais da existência.
JESUS nunca se mostrou fraco, seu Evangelho é um repositório de força, vitalidade, vida, consolação, meiguice e ao mesmo tempo de firmeza, numa mistura inconfundível de profundo equilíbrio em todos os sentidos.
O espírita vai se mostrando como aquele que luta pela sua transformação moral numa batalha sem quartel, empregando esforços inconfundíveis para vencer as imperfeições que ainda carrega.
O Espiritismo liberta da ignorância quando lhe oferta os ensinos de JESUS como roteiro de vida ética-moral, quando mostra que ele vive entre irmãos, que devem os seus atos representar a vivência da caridade, quando o induz a ser bom, generoso e compreensivo com todos.
A Doutrina Espírita, desta forma, estabelece dignidade na luta, inspirada nas heróicas ações de JESUS, ELE que é roteiro seguro para a construção de um mundo mais justo e de uma humanidade mais ditosa.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A CARIDADE COMO PALAVRA
     A caridade é um tema que mereceu inúmeros apontamentos por parte de autores encarnados e desencarnados. A caridade material, do agasalho e do alimento, é muito lembrada. Fala-se também da caridade do ensino, da divulgação do Espiritismo, da paciência, do perdão, da prece por outrem...
A caridade da palavra é, quase sempre, mencionada de passagem, como se seu significado não ultrapassasse o sentido óbvio: o estímulo e o encorajamento, a cordialidade no relacionamento, e coisas semelhantes.
Mas existem outros pontos a se considerar, e Nazareno Tourinho (Autor Espírita)  observa que quase nunca exercemos, de fato, a caridade verbal.
Na família, trocamos frases simplesmente necessárias, às vezes com secura ou, até, com aspereza. Dispensam-se as palavras amáveis, por se crer que não necessitam ser ditas entre pessoas que convivem em clima de intimidade. No entanto, ironias e críticas cheias de sarcasmo não são poupadas, sem se falar naquelas "brincadeiras" que depreciam e humilham.
No meio social, a condenação de comportamentos alheios é comum. As críticas que a ninguém aproveitam, as insinuações com alvo certo são consideradas normais. Não serão contudo, contrárias ao sentimento de compaixão e respeito ao semelhante?
A caridade da palavra tem ainda outros aspectos interessantes.
O mais interessante, a meu ver, é que ela está disponível a todo momento. Podemos praticá-la cada vez que abrirmos a boca para dizer algo. Um bom dia, por exemplo, pode significar somente que se tem um pouco de civilidade, ou pode ser um desejo sincero, que vai carregado de bons fluidos.
Tudo isto implica, por outro lado, que temos grande responsabilidade sobre nossas palavras. Que colheremos o que com elas semearmos, que responderemos pelo benefício do dano que elas causarem e pelas conseqüências de nossa omissão, se por dever moral nos cabia dizer algo em determinada situação.
Agora: se todos sabemos como são importantes as palavras gentis, as expressões de reconhecimento ou solidariedade; se é tão bom ouvi-las, e se, sobretudo, nada nos custam, por que é que as empregamos com tanta avareza?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

 PENALIDADE DE VIDA, NÃO DE MORTE

Ante a violência que cresce assustadora, invadindo lares, escolas e atingindo as pessoas indefesas, cogita-se da instauração da pena de morte em nosso país.

A pesquisa, nas ruas, aponta que as criaturas desejam ficar livres da violência e pensam na eliminação dos crimes, eliminando a vida dos criminosos.

Muitos se fazem partidários da assertiva de Tomás de Aquino que, na Idade Média, assim se expressava: “É louvável e salutar a amputação de um membro gangrenado, causa de corrupção de outros membros.”

A argumentação é abundante, normalmente estribada em dois pontos capitais.

O primeiro, de ordem econômica, pois fica mais barato matar o criminoso do que sustentá-lo anos a fio numa penitenciária.

Se assim pensarmos, logo mais estaremos defendendo também a morte dos idosos, dos loucos, dos doentes incuráveis, ao invés de gastar dinheiro com asilos, hospitais psiquiátricos, sanatórios.

O segundo sustenta a tese de que a pena de morte evita o crime, por causar pavor à pessoa que o intenta praticar.

Nada menos exato. O maior índice de crimes de morte, nos Estados Unidos, ocorre exatamente nos Estados em que prevalece a pena capital.

O certo é que a experiência dos séculos prova que o “assassínio legal” nunca deteve celerados no caminho da delinqüência.

Quando o Estado toma nas mãos a vida do indivíduo e a destrói não tem o direito de exigir, na seqüência, que outro indivíduo a respeite.

A lei de conservação assegura ao homem o direito à preservação da vida. Não é lícito, pois, a pretexto de defesa pessoal ou coletiva, roubar o mesmo direito do seu semelhante.

É de Thomas Jefferson a frase: “Nenhum homem tem o direito natural de praticar agressões contra os direitos iguais dos outros.”

Há outros meios do homem se preservar do perigo, que não matando. Ademais, é preciso abrir e não fechar a porta do arrependimento ao criminoso.

Para que uma pena seja justa deve ter apenas o grau de rigor bastante para desviar o homem do crime.

A pena de morte é flagrante contradição aos ensinamentos do Cristianismo e aos sadios princípios do direito moderno. O Decálogo prescreve “Não matar”.

Leve-se em conta ainda a precariedade dos julgamentos humanos.

A História registra, lamentavelmente, um número considerável de erros judiciários.

Basta que lembremos dos emigrantes italianos Nicolau Sacco e Bartolomeu Vanzetti, eletrocutados em 1927, nos Estados Unidos... Inocentes.

O verdadeiro criminoso era Celestino Medeiros, que confessou sua culpa.

E Caryl Chesmmann, morto na câmara de gás na Califórnia como o “bandido da luz vermelha” que era, na verdade, o gangster Charles Terranova, conforme declaração de sua viúva.

Lutemos pela vida. Sejamos defensores do direito à vida. Para o criminoso, cerceamento da liberdade, trabalho de reabilitação, justo pagamento pelo erro cometido. Pena de vida, não de morte.
* * *
Você sabia que Jesus de Nazaré foi condenado à morte por ser sedutor, sedicioso, inimigo da lei, por se intitular Filho de Deus, por pretender ser rei de Israel e por entrar no templo seguido de uma multidão que o aclamava?

E que o senador Publio Lentulus, escrevendo a Tibério César, Imperador de Roma, disse que: “Jesus de Nazaré nunca fez mal a pessoa alguma e antes emprega todos os seus esforços para fazer toda a Humanidade feliz”?

E você sabia que, em 1863, Júlio Verne previu o aparecimento da cadeira elétrica, descrevendo uma plataforma, um gerador elétrico e os condenados à morte sendo eletrocutados?
Redação do Momento Espírita com base no artigo da pág. 5 da Revista O Espírita, número 87 e em artigo da Revista Internacional do Espiritismo, ano VIII, nº 11.



Chico Xavier - Pinga Fogo

Pena de Morte

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domingo, 19 de junho de 2011

VOCÊ JÁ SORRIU HOJÊ?

    Se você já gritou, já chorou, já reclamou, já ficou bravo, e nada adiantou, experimente sorrir.
Isto lhe garantirá menor sofrimento e melhor saúde física e mental.
Sorria com misericórdia. Sorria para não sintonizar com a situação desagradável.
Um sorriso sincero acende uma luz na expressão de nossos rostos, convida o companheiro à aproximação, abre portas à reconciliação e ao entendimento.
Aprendamos com o Pai, que nunca se exaspera.
Ao sorrir para o imprevisto, tudo se resolverá.
Ao sorrir para a dor, ela se intimidará.
Ao sorrir para a contrariedade, ela se amenizará.
Ao sorrir para a ofensa, ela perderá sua razão.
Segundo o Princípio de Causa e Efeito, ao sorrir para a vida, a vida nos sorrirá.

quinta-feira, 16 de junho de 2011


CONVITE
Companheiro de jornada, permita-me falar-te ao coração.
Aceita meu convite e segue-me, sem recear.
Posso ensinar-te a sevir o pão da compreensão aos famintos de luz, e a água do perdão aos que se encontram perdidos no deserto das próprias culpas.
Comigo, aprenderás a construir a ponte do entendimento para transpor os abismos da indiferença.
Deixa-me inspirar tuas palavras e guiar teus gestos.
O mundo quase sempre me rejeita, mas onde encontro guarida renovo os pensamentos e aproximo os corações.
Por isso, deixa-me fazer-te companhia.
Posso ser o escudo que te protege das agressões, a linfa que te refrigera a alma nos momentos de luta.
Sou tua irmã.
Dá-me tua mão e segue comigo.
Meu ideal é servir.
Meu alimento é o amor.
E meu nome é fraternidade.
Scheilla 

terça-feira, 14 de junho de 2011

DESAPEGO
       Quantas inquietações ligadas ao apego à matéria seriam evitadas, se conseguíssemos olhar a vida com os olhos do Espírito!
       É uma questão de perspectiva.
       Para quem só vê a vida corporal, ela pode ser um padecer interminável. A frustração de não obter os bens que almejaríamos, de ver os anos passarem sem realizar nossos sonhos, enquanto que o outro parece ter tudo que sempre quis e, por outro lado, o medo de perder o que temos, pode consumir toda nossa tranqüilidade e alegria de viver.
       Mas quando se olha pela perspectiva da vida espiritual, vê-se a existência presente como um pequeno capítulo de nossa vida verdadeira e se compreende a brevidade e a utilidade das condições em que vivemos.
       Lacordaire (Espírito) diz: O homem que se aferra aos bens terrenos é como a criança que somente vê o momento que passa. O que deles se desprende é como o adulto que vê as coisas mais importantes. (O Evangelho..., Cap. XVI, 14)
       Um futuro de paz e felicidade aguarda todos os Espíritos ao fim de sua jornada, por mais que a estrada seja cheia de obstáculos que os desafiem e ponham em xeque sua paciência.
       O dinheiro e os recursos materiais de que dispomos, tanto quanto a carência deles, sào simplesmente mais um meio de progredirmos, uma prova para o Espírito.
       É por isso que o Espiritismo não condena a riqueza, nem faz apologia da miséria e da pobreza, mas aconselha o desprendimento dos bens materiais.
       Eles nos servem, têm a sua utilidade enquanto se está encarnado, mas atrasam a caminhada de quem se apega excessivamente.
       Notemos que o desprendimento não é o desprezo mas, sim, uma disposição interna que nos permite aplicar com mais sabedoria e equilíbrio os recursos em nossas mãos.
       Pela riqueza, estais revestidos do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra para dela serdes os dispensadores inteligentes - lembra Lacordaire.
       O desprendimento dos bens terrenos é, ainda, uma preparação para o desencarne - o desprendimento maior - quando se desatam as ligações fluídicas entre o Espírito e o corpo e chega a hora de apreciar com mais clareza o qe fizemos de tudo o que a Bondade Divina nos houve por bem emprestar.
       Tanto o desperdício quanto a recusa às dádivas divinas para o progresso, que muitas vezes assumem a forma de posses materiais, muito significarão na hora de fazer o balanço de nossa existência recém-concluída. Se Deus nos dá a oportunidade, não devemos jogá-la fora. Aí então, se tivermos sabido usar o dinheiro e as coisas que adquirimos, com critério e sabedoria mas sem supervalorizá-los, partiremos com mais liberdade para novos estágios de progresso.
       Por outro lado, as reuniões de doutrinação e desobsessão nos apresentam inúmeros e dolorosos quadros, situações aflitivas de Espíritos que não conseguem, mesmo desencarnando, desvincular-se das coisas materiais.

sábado, 11 de junho de 2011


AS BOAS PALAVRAS
    As palavras pronunciadas por Jesus, em  espírito e verdade, foram enunciadas para que os homens compreendessem que não as deveriam entender  segundo a letra, mas  segundo o espírito, pois elas revelam pensamentos sublimes de ordem espiritual ao ensinar as verdadeiras lições como fonte de vida imortal.
     O Mestre veio ao mundo para pregar a sua mensagem em todos os lugares e “misturou palavras e testemunhos vivos, desde a primeira manifestação de seu apostolado sublime até a cruz. Por pregação, portanto, o Mestre entendia igualmente os sacrifícios da vida”. 2 Para o espírita, a  ação de pregar é, acima de tudo, exemplificar a caridade na demonstração sincera dos ensinamentos doutrinários propalados, com atitudes nobres a exprimirem palavras de consolo às criaturas que rogam amparo em nome de Jesus.
     De acordo com os benfeitores espirituais, “nunca é demasiado comentar a importância e o caráter sagrado da palavra”. 3 A esse respeito, observa o Espírito Emmanuel que
    
O próprio Evangelho assevera que no princípio era o Verbo, e quem examine atentamente a posição atual do mundo reconhecerá que todas as situações difíceis se originam do poder verbalista mal aplicado. 3

     O mentor espiritual refere-se aos falsos discursos pronunciados com palavras que, colocadas estrategicamente na oratória, enganaram indivíduos, famílias e nações. Essas constatações nos remetem aos discursos, falados ou escritos, na transmissão da mensagem espírita, eivados de recursos retóricos nem sempre apregoados em favor da causa maior. Nossos comunicados refletem os sentimentos cristãos que preconizamos? Ou estamos saturados de ideias excêntricas, influenciados pelos labores intelectuais que abraçamos, em nome da Doutrina?
     Elucidados estudos do escritor espírita Juvanir Borges de Souza (1916-2010), sobre o presente tema, concluem:

[...] manifestação simbólica das ideias, extensão do Espírito, a palavra representa sempre o valor do pensamento. Assim, pode ela expressar, em sua alta função a serviço do bem, a moralidade e o bom gosto, em processo regular de educação do homem, como pode, ao revés, transformar-se em abuso, quando serve ao sofisma, ao puro verbalismo, à ofensa, à maldade e a todas as inferioridades humanas. 4

     Ao analisarmos as contribuições do citado autor, deparamo-nos com alguns problemas, dentre as inúmeras dificuldades encontradas para que as nossas concepções reflitam as inspirações do Alto, no momento da propagação da mensagem renovadora. São eles: a) a falta de compreensão lógica e aprofundada das obras da Codificação Espírita, com seus variados desdobramentos, ligados à Filosofia, à Ciência em geral, à moral evangélica e aos aspectos religiosos; b) a transformação de profundos e elevados pensamentos espíritas em opiniões divergentes da temática doutrinária, na busca de concessões à superficialidade e à vulgaridade, permitidas por certos obreiros, preocupados com o ato de convencer e persuadir aos que os ouvem ou leem, em exagerado servilismo às manifestações humanas; c) a preocupação de determinados tarefeiros de selecionar frases brilhantes e inúteis, sem utilizar fala acessível e compreensível para aqueles que os procuram, em auditórios, em recintos de aulas e cursos, ou por meio de atendimentos específicos, esquecendo-se da simplicidade que torna verdadeiramente nítida a linguagem elevada dos conceitos e ideias apresentados.
     Ao nos empenharmos na divulgação da Doutrina, conservando as características pessoais de cada estilo, nunca devemos esquecer do poder da palavra como forma representativa e eficaz de influirmos nos pensamentos e nas atitudes de terceiros, considerando essas iniciativas como elementos valiosos e utilíssimos à causa do Espiritismo, sem esquecermos, todavia, das recomendações dos benfeitores espirituais para que não nos deixemos levar por um intelectualismo excessivo e nocivo ao esforço que empreendemos pela exemplificação evangélica. Sábio aconselhamento é dado pelos Espíritos reveladores, em uma das abençoadas mensagens contidas em O Evangelho segundo o Espiritismo:

A inteligência é rica de méritos para o futuro,mas, sob a condição de ser bem empregada. Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria,para os Espíritos, a tarefa de fazer que a Humanidade avance. Infelizmente,muitos a tornam instrumento de orgulho e de perdição contra si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as suas faculdades [...]. 5

     Sabemos que, para compreender a Doutrina dos Espíritos, não é preciso que tenhamos “uma inteligência fora do comum [...]” . “[...] A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência”. 6 É desnecessário, pois, divulgar a Doutrina com princípios estranhos aos seus pontos fundamentais, como se quiséssemos inovar buscando teorias e práticas de diferentes procedências. Kardec foi peremptório ao afirmar sobre a transparência do Espiritismo:

[...] Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso. [...] Hoje, para ninguém tem segredos. Fala uma linguagem clara, sem ambiguidades. Nada há nele de místico, nada de alegorias suscetíveis de falsas interpretações.Quer ser por todos compreendido, porque chegados são os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade. [...] 7

     Atualmente, erros são cometidos pela carência de entendimentos mais lúcidos dos preceitos que norteiam a Doutrina Espírita, sobretudo, na elaboração de determinadas obras literárias, de duvidosa qualidade textual e de valor doutrinário incerto. Tais obras acabam atraindo adeptos-leitores inexperientes como vigoroso imã ao espalhar pensamentos esdrúxulos e fantasiosos, causando-lhes embaraços com o prejudicar sua correta compreensão das verdadeiras bases do Espiritismo. Os Espíritos superiores chamam atenção para as intenções do escritor:

[...] Se ele escrever boas coisas, aproveitai-as. Se proceder mal, é uma questão de consciência que lhe diz respeito, exclusivamente.Demais, se o escritor tem empenho em provar a sua sinceridade, apoie o que disser nos exemplos que dê. 8

     Lembranças de antigos trabalhadores espíritas avivam a nossa memória, ao rememorarmos o esforço desenvolvido, por cada um deles, na realização de tarefas exaustivas, disciplinadas e cuidadosas para difusão da Doutrina Consoladora. A saudosa médium Yvonne Pereira (1906-1984), ao comentar a herança deixada para nós, por esses seareiros do passado, declara:

Esses homens e essas mulheres, irmãos amados pelo nosso coração, deixaram aos espíritas que os sucederam o exemplo da dedicação, do trabalho e da fidelidade ao ideal superior que os engrandeceu perante si mesmos e a sociedade. Foram personagens fortes, que souberam resistir aos embates do mundo, não permitindo que as ervas daninhas das infiltrações perigosas e do personalismo invadissem o campo doutrinário. [...] 9

    Sigamos o exemplo deles, que interpretaram as palavras  espíritas em espírito e verdade, à luz do Evangelho, que é “um espelho cristalino em que o Mestre se reproduz, por divina reflexão, orientando a conduta humana para a construção do Reino de Deus entre as criaturas”. 10


Referências:
1 DIAS, Haroldo Dutra. (Tradutor). O novo testamento. Brasília: EDICEI, 2010.

2 XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 38, p. 92.

3 ______. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 165.

4 SOUZA, Juvanir Borges. Tempo de renovação. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. 12, p. 99.

5 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. bolso. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 7, it. 13, p. 155.

6 ______. ______. Cap. 17, it. 4.

7 ______. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 91. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Conclusão, it. 6, p. 544.

8 ______. ______. Q. 904a.

9 COMPILAÇÃO EQUIPE FEB. À luz do consolador. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. O livro que faltava, p. 123.

10 XAVIER, Francisco C.  Pensamento e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 4, p. 23.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O ABORTO E O MAIOR GÊNIO DA MÚSICA

Alemanha 1770, época de pouca tecnologia e escassas  oportunidades. Nesse já distante momento, uma senhora infeliz, casada e mãe de 4 filhos,  vê mais um motivo para chorar: Sua gravidez do quinto filho.
Claro, a primeira coisa que lhe veio a mente foi o aborto, afinal, seu marido estava com sífilis, ela com tuberculose. Seu primeiro filho nascera cego e o segundo morrera; o terceiro nascera surdo e o quarto tuberculoso.
Que destino estava reservado para esse outro?
Certamente que nada de bom lhe esperava nesse mundo. Sim, o melhor seria mesmo o aborto.
Porém, algo não deixou que ela concretizasse seu intento.
E desde então, o mundo deve reverência a essa mãe, pois de seu ventre foi gerado Ludwig van Beethoven – o maior gênio da música de todos os tempos e um dos mais prolíficos compositores.
Dificuldades daquela distante época carente de possibilidades e oportunidades, frustrações como mãe que não conseguia gerar filhos saudáveis, problemas com o marido...
Imagine o que ia naquele coração?
Duvidas e temores, medos e incertezas...
Aparentemente tudo conspirava contra ela, tivesse menos perseverança e certamente o mundo não conheceria o talento musical de Beethoven naqueles tempos.
A mãe, mesmo diante das pessimistas idéias, deixou fluir a gravidez e presenteou o mundo com a sensibilidade musical de seu filho.
Por isso, falemos sobre o aborto:
Ao adentrarmos o delicado assunto que diz respeito ao aborto, logo pensamos em suas conseqüências espirituais e morais, contudo, esqueçamos um pouco esses tópicos para que nos atentemos aos aspectos sociológicos.

Quando fala-se em legalizar o aborto equivale a descomprometer as pessoas perante suas atitudes. Sim, muito mais fácil livrar-se da gravidez do que assumir sua responsabilidade ante a criança que foi gerada.
E as conseqüências para a sociedade certamente são cruéis, porquanto:
Contribui para a proliferação da irresponsabilidade. Quem não assume a responsabilidade de um filho gerado certamente não se comprometerá com questões de cidadania.
Propaga o sexo sem compromisso, convidando as pessoas a se envolverem em relações superficiais e que não raro,  trazem dor, sofrimento e desilusão.
Banaliza a vida, não dando-lhe a devida importância.
Desvaloriza a família, desorganizando os valores e iludindo as criaturas quanto aos reais sentimentos.
E as reações vem em cadeia, desorientando pessoas e deteriorando comportamentos; entravando o progresso e promovendo a desordem.
O correto seria “legalizar” a educação!
Com educação instala-se a organização.
Um ser educado em padrões morais de dignidade arca com a conseqüência de suas atitudes.
Com educação:
Ninguém sairá da escola sem saber ler e escrever.
Nenhuma criança trocará os bancos escolares pelo trabalho pesado.
Crianças não precisarão ser mães de crianças,  porque instruídas saberão respeitar cada etapa de sua vida, e se por ventura vierem a se precipitar e queimar fases, respeitarão o sagrado direito a vida que assiste a todos os seres deste planeta.
O aborto é apenas transferência de problema, acréscimo de responsabilidade, cedo ou tarde, se arcará com as conseqüências das atitudes, sejam elas quais forem.
Tenho certeza que a história de Beethoven será tema de reflexão.

O melhor é deixar a vida fluir e a natureza seguir seu curso.
E certamente ao deixar fluir a vida, ganharemos precioso presente; pode ser que o filho não tenha o talento de um Beethoven,  porém, com certeza nos dedicará o que tem de mais precioso: Sua atenção, seu amor, sua presença,  e uma amizade que se repercutirá pela eternidade afora nos envolvendo em doces vibrações de gratidão.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

PEDI E OBTEREIS
       Pedi e obtereis. Buscai e achareis. Batei e abrir-se-vos-á. São afirmações claras, veementes, inequívocas de Jesus, quando esteve encarnado entre nós.
       No entanto às vezes, pedimos e não recebemos. Queremos e não conseguimos. Então, o que pode haver de errado?
       É que pedir é importante, mas não é tudo. Pedir, voltar-se para o Pai com humildade e, num ato de submissão, rogar que ele faça o melhor, que nos dê forças para agüentar firme, que encaminhe os problemas para a melhor solução, é muito importante.
      Existem  pessoas que acham que não foram atendidas porque Deus não fez exatinho do jeito que elas pediram. Aí, entram outros fatores, como se o pedido é justo, se é realmente necessário, se é o mais adequado para a situação do momento. Deus pode achar que existe algo melhor a ser feito. Então, ele nos auxiliará, porém, à sua maneira, dando-nos sempre aquilo de que mais necessitamos, que pode não ser aquilo que nós julgamos mais necessário.
       Os Espíritos nos dizem que, daquilo que pedimos em prece, existem quatro coisas que sempre serão concedidas: a resignação, a coragem, a paciência e a inspiração.
       Se observarmos bem, veremos que o pedir não está sozinho. Ele está ao lado do buscar e do bater na porta, dois verbos que traduzem ações. Ou seja: não basta pedir e aguardar.
       É necessário que queiramos o suficiente para ir em busca, para nos esforçarmos. O primeiro movimento é nosso. E é aí que, se tivermos fé em nós mesmos e fé em Deus, atingiremos nossos objetivos.
       Mas se Deus conhece nossas necessidades e se, de qualquer maneira, temos de trabalhar, para que pedir?
       É que pedir significa que aceitamos que Ele aja em nossas vidas. Que abrimos nosso coração para as boas inspirações.
       Mesmo zelando por seus filhos e por toda a Criação, Deus não interfere em nossa liberdade. Ele nos deu discernimento e inteligência para agirmos e sermos responsáveis pelos nossos atos. Se atendemos às más inspirações, é por que estamos livres para fazê-lo. Porém, se pedimos a Deus que afaste de nós as influências inferiores e que nos ilumine o caminho, manifestamos nossa vontade de fazer o que é bom, e é aí que Ele nos orienta, ajuda, fortalece.
       Ele nos concede os meios de sairmos por nós mesmos da dificuldade a partir das sugestões que os bons Espíritos nos dão, sendo que, assim, não nos tira o mérito pelo que fizemos.
       O problema é que a maioria das pessoas prefere não lutar, quer apenas pedir e ser socorrido por alguma espécie de "milagre". Por isso, acreditam que suas preces não funcionam.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

 ACONTECIMENTOS  NATURAIS
Os acontecimentos que nos sucedem, diariamente, são todos naturais. Mesmo as tragédias, enfermidades, correrias, atropelos, desentendimentos, conflitos, conquistas, alegrias, obstáculos.
            É que os acontecimentos guardam relação direta com nosso estágio evolutivo. Os atropelos e stress acumulados são próprios de nossa maneira de conduzir a vida. Enfermidades, em sua maioria, excetuados os casos de nascimento ou contágio, igualmente são resultados de nossas intemperanças e vícios, inclusive mentais.
            As aflições decorrentes de mágoas e conflitos igualmente são fruto de nossa dificuldade no comportamento.
            Portanto, tudo muito natural.
            Imaginemos, todavia, ampliando a questão, aquela vítima da queda do avião da Gol e que estava abastecendo o carro, em terra, no posto de gasolina. Seremos ingênuos a ponto de afirmar que isto é obra do acaso? É evidente que se trata de uma programação anterior, visando reajustar necessidades. Da mesma forma as demais  vítimas.
            É extremamente infantil crermos que um acidente dessa proporção, envolvendo tantas vidas, seja obra do acaso. Portanto, enquadra-se também em fato natural, cuja causa compreenderemos mais tarde. Igualmente as situações individuais: ou é fruto de nossas decisões e liberdade, ou ocorrências cabíveis no estágio intelecto-moral-evolutivo que nos encontramos. Portanto, acontecimentos naturais.
            Á medida que vamos evoluindo as condições vão melhorando e as conseqüências não serão tão drásticas como agora se apresentam. A própria situação coletiva do planeta é posição absolutamente natural e coerente com o estágio que estamos, fruto, sem dúvida, das decisões coletivas de seus habitantes.
                 Nada estranho. Tudo natural.
            Devemos, pois, encarar como naturais, os acontecimentos. Eles apenas refletem nossa condição atual.
            Num planeta onde ainda impera o egoísmo, a inveja, o ciúme, a ganância, a valorização do ter em detrimento do ser, o que podemos esperar?
            Afeto, cortesia, mansidão, honestidade, solidariedade e outras virtudes não são apenas palavras. São forças vivas que alteram a paisagem, tanto interior, como exterior, tanto no sentido individual como coletivo.
            Tais forças, assim como a irritabilidade, a vingança, os diversos desvios morais em uso e mesmo a busca desenfreada do poder e da posse, causam conseqüências e desdobramentos que deixam de ser anormais para serem normais, pois que meras conseqüências que realmente são.
            Aprendamos a progredir, a melhor moralmente, a nos aprimorarmos intelectualmente, a usarmos mais gentileza e compreensão. Esforcemo-nos pelo uso da tolerância, do perdão, da indulgência e mesmo do esforço, da iniciativa, do interesse por aprender, etc., e veremos a vida melhorar. Se tais iniciativas forem coletivas, veremos o planeta melhorar. Nada estranho nisso, não é mesmo. Tudo muito natural...
            Por que reclamar se as mudanças estão em nossas mãos?
            As emoções causam felicidade ou desajustes, a depender do uso direcionado e da importância a elas dedicada, além, é óbvio, de sua qualidade.
            Por outro lado, o auto-conhecimento, o esforço pela conquista da serenidade e da mansidão, o desapego, a vontade de melhorar e a vigilância dos pensamentos são, estes sim, os caminhos para usar o tempo que dispomos no planeta com sabedoria e felicidade. 
O que estamos esperando?